Quando esteve em cartaz nos cinemas do Brasil, o filme “Whiplash : Em busca da perfeição” chamou pouca atenção. Pessoas envolvidas com jazz e ouvintes de boa música provavelmente aguardaram por sua estréia. Mas numa temporada em que concorria com excelentes filmes como “Birdman”, “A Teoria de tudo”, “Boyhood” e “Para sempre Alice”, para muita gente passou desapercebido. Atualmente passando no canal HBO, é uma excelente oportunidade ao expectador que perdeu sua exibição nos cinemas, de apreciá-lo agora em sua casa. Porque é um grande filme e expõe com maestria até que ponto o ser humano pode chegar para atingir seus objetivos.
Temos um baterista dedicado, que sempre sonhou em ser o melhor e para isto, pouco se importa em fazer amigos, investir num relacionamento afetivo ou mesmo cultivar amizades entre os outros músicos que também se sujeitam a tudo para brilhar. Do outro lado, temos um maestro obstinado, que pouco se importa com o respeito ao próximo e que faz da humilhação, constrangimento e exposição dos seus alunos, a válvula motivadora para que eles busquem sempre mais – a perfeição – como o título do filme já sugere.
No decorrer do filme, vemos ensaios exaustivos, humilhações constantes, raiva, rivalidade, sangue, suor e lágrimas, tudo ao extremo, em busca do grande reconhecimento.
Não posso falar mais, para não estragar a surpresa do filme, mas a cena em que o maestro explica ao baterista que age como age porque se assim não o fizesse, não inspiraria o aparecimento de um novo talento, assim como aconteceu com Charlie Parker, é esclarecedora. E a cena final, quando ambos demonstram sua natureza já conhecida por nós expectadores, e a levam ao extremo, é de uma inteligência deliciosa, fecha o filme com chave de outro, vale o ingresso, como dizemos. Porque nos leva a uma reflexão profunda sobre a natureza de cada um, sobre nossas expectativas, sobre o que estamos fazendo com nossas vidas.
Será que sabemos o que queremos ? Será que estamos dispostos a tudo para sermos os melhores ? Será que sabemos em quê somos bons ? Será que temos inteligência para driblarmos as adversidades, especialmente quando elas surgem de pessoas mal intencionadas que provavelmente só querem nos colocar em situações limites e que podem nos levar a desistir de nossos sonhos ? Também por isto o filme é bom : porque é uma aula de auto conhecimento. E porque as músicas de jazz são o grande complemento para um filme ao mesmo tempo simples e complexo.
E vale lembrar : J. K. Simmons ganhou o Oscar merecido por melhor ator coadjuvante !
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