O texto abaixo foi escrito por Walcyr Carrasco para a Revista Época. Achei-o bem interessante, e por isto o reproduzo abaixo. Só faço uma ressalva : trabalho com Coaching há mais de 5 anos – não acho que o Coaching é a profissão do momento. Acho que isto já ocorre há tempos…

Desde que trabalho em televisão, ouço falar em coach. É o profissional que prepara os atores. No Rio de Janeiro, por exemplo, há uma fonoaudióloga, Rose, que acompanhou amigos meus durante novelas inteiras. Leram as cenas antes das gravações, buscaram inflexões. Isso vale até para atores famosos! Coachs cobram por hora, ganham bem. Para meu pavor, alguns candidatos a testes também procuram um. Bem orientados pelo coach, fazem um teste perfeito. Depois, na hora de gravar, é um precipício! Pode ser surpreendente para quem não é de TV ou cinema. Ator não deve saber interpretar? Sabe sim. Mas, ao contrário do teatro, na televisão e no cinema não há um tempo grande de ensaio para a construção do personagem. Às vezes, em uma novela, o personagem dá uma virada total de repente. O ator conta com as armas que já tem. E com o coach. Bem… há uma famosa coach de cinema que até chama os atores de vermes. Faz com que rastejem no chão. São técnicas que funcionam. Na alegria ou sofrimento.

Coach nos Estados Unidos é, por exemplo, técnico esportivo. Agora, transformou-se em novo campo, que se expande até mesmo com a crise. Há coachs em áreas que eu nem imaginava. Alguns têm sólida formação empresarial. Orientam profissionais que ambicionam estruturar carreiras. Uma psicóloga jovem entrou em crise. Queria partir para outro campo. O coach estudou atentamente seu currículo. Fez várias entrevistas. Ao final, concluiu:

– Sua vida foi voltada para a psicologia. Toda a sua formação é nessa área. Só vai perder querendo mudar de campo. Deixe disso.

Ela continua psicóloga e feliz.

Outro passou muitas sessões preparando um rapaz para pedir aumento. Ele simplesmente não tinha coragem. Finalmente, foi até o chefe, munido de todos os argumentos estruturados com o coach. Bastou introduzir o assunto. O chefe topou.

– Sim, já está na hora do aumento.

O problema era seu medo!

Há também coachs que orientam a pessoa a buscar caminhos da vida. Psicanalistas tradicionais têm horror disso. Para eles, o processo de autoconhecimento levará a pessoa a ganhar autoestima e se redescobrir. Mas muitos terapeutas menos convencionais respeitam os profissionais da área. Principalmente quando têm formação em psicologia.

– Eles desatam o nó do momento, para a pessoa seguir em frente – contou-me uma amiga com mais de 30 anos como terapeuta.

Não é uma terapia, mas uma orientação. Conheço um rapaz que sempre trabalhou com comunicação. É jornalista, escritor. Um comunicador. Procurou uma profissional, que se define como self hunter (à caça de si mesmo?). Conversaram. Finalmente, ele soltou:

– Gosto de xadrez. Na internet, já derrotei vários campeões.

– Então, por que não usa sua capacidade de comunicação para divulgar seu xadrez?

Propôs que ele começasse a dar aulas. Desde então, o xadrez desabrochou na vida dele.

– Ela simplesmente tirou uma pedra do meu caminho.

Gosto muito da ideia, pois muitas vezes já convivi com problemas imediatos. Não queria anos de terapia. Se conhecesse um coach na época, teria ganhado muito. Por outro lado, já tive um amigo coach que tinha feito um curso de três meses, sem nenhuma formação em psicologia. Cobrava R$ 250 a hora e tinha muitos clientes. O problema é que ele não tinha a menor ideia do que fazer a respeito da própria vida. Eu gelava pensando nos clientes! Ou seja, há muita picaretagem.

Meu medo é que, como no Brasil existe uma paixão pela burocracia, daqui a pouco surja faculdade para coach. Ou associação com mil regulamentos. Um rol de loucuras para inviabilizar a profissão. Eu, confesso, tenho uma paixão por ser coach algum dia. Sempre adorei me intrometer na vida alheia. Hoje estou em franca atividade como autor. A médio prazo, quando escrever menos, seria uma boa opção profissional discutir roteiros e livros com escritores. Existe esse tipo de profissional, em Los Angeles. É o que trabalha bloqueios de criatividade. Quem sabe?

De qualquer forma, vejo tantas pessoas dando cabeçadas na vida! Um amigo advogado, estabelecido e bom profissional, quer ir embora do país. Para ser talvez faxineiro em Miami! Tento ser o coach dele, falo da besteira que vai fazer. Adianta? Não, porque amigo não adianta nessas crises. Um coach, que ele respeitasse, botaria os pingos nos is.

Acredito, sim, que, até antes de uma terapia mais longa, muitas pessoas se dariam bem tendo uma orientação. O coaching é a profissão do momento.

Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on LinkedInPin on Pinterest