Vivemos em sociedade, nos relacionamos, convivemos com pessoas diariamente em casa, no trabalho, na rua, nos momentos de lazer… Nos acostumamos com este convívio, compartilhamos espaços, casas, sonhos, vidas, experiências. Ao convivermos com o outro, vamos estabelecendo limites, refletimos sobre novos pontos de vista, aprendemos o respeito, o limite do outro, valores diferentes dos nossos. Vivemos conflitos, resolvemos conflitos. Assim, vamos aprendendo a conviver em sociedade.

Algumas pessoas são temporárias, passam por nossa vida por um espaço curto de tempo. Pode ser em virtude do trabalho, da vizinhança, de amigos em comum…. Quando mudamos de trabalho, de casa ou até de cidade, perdemos contato com estas pessoas, pois eram apenas pessoas de nosso convívio que nos eram próximas devido àquela circunstância específica.

Outras pessoas são representativas em nossa vida : são nossos familiares, pais, irmãos, amigos queridos, até mesmo colegas de trabalho que se tornam próximos por valores em comum, por afinidades. Com estes nos entregamos mais, temos mais expectativa, nos doamos mais e por isso também lhes cobramos mais. Não são circunstanciais, são duradouros, representam algo importante para nós.

Freud disse que sempre precisou tanto de um bom inimigo quanto de um fiel amigo. Acho esta uma profunda reflexão, pois o bom inimigo é aquele que ao divergir de nossos pensamentos, nos dá a oportunidade de pensarmos de outra forma, de analisarmos a situação de um outro ângulo, de nos avaliarmos o tempo todo, tão essencial quanto o fiel amigo.

O fiel amigo nos dá seu ombro, nos acolhe, nos ouve, chora conosco, torce por nós, se solidariza conosco. Empresta dinheiro, ajuda a cuidar dos nossos filhos, está ali para o que der e vier. Não espera nada em troca, a não ser nossa sincera amizade. Muitas vezes nos diz verdades inconvenientes, nos aponta erros, nos critica, nos alerta, sempre com a melhor intenção, para que possamos ser justos e corretos e tenhamos a capacidade de superar nossas adversidades da melhor forma.

O bom inimigo não necessariamente nos quer mal. Pode eventualmente competir conosco, algumas vezes até nos mostrar aspectos de seu caráter que nos surpreendem negativamente, assim como também nos mostra aspectos que preferíamos não ver em nosso próprio caráter. Pode também agir de uma maneira que não aprovamos e não faríamos. Mas ele nos mantém alerta, nos mostra que não podemos ser ingênuos nesta vida. Que podemos ser bons mas nunca bobos. Muitas vezes nos dá a oportunidade de praticarmos a virtude do perdão e assim nos exercitarmos em nossa humildade.

Reflita sobre suas amizades, analise as pessoas ao seu redor, o que pode aprender com elas, o que pode ensiná-las. Aceite que na maioria das vezes o caminho mais difícil é de fato o melhor caminho, pois é ali que você poderá amadurecer e tirar sempre novos aprendizados para fortalecer suas amizades e estreitar os laços com que lhe quer bem.

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