Foi um paciente quem me relatou o caso abaixo. Em viagem à Ìndia, conversando com um colega de trabalho, acabaram falando sobre casamento. Segundo as tradições indianas, são os pais quem escolhem os parceiros de seus filhos. Passeando um pouco pela internet, descobri a informação de que 75% da população indiana está de acordo com esta prática.

O rapaz indiano foi questionado sobre como poderia dar certo um casamento em que ele não escolheu a noiva, e a resposta dada por ele foi muito interessante :

– Não vejo por quê não daria certo ? Se vou me casar com alguém que não escolhi, a única escolha que posso fazer é amar esta pessoa. Eu posso escolher reclamar porque ela não tem o temperamento que eu gostaria ou os olhos azuis que admiro. Mas eu também posso escolher amar o que ela tem de melhor : seu bom humor, seu jeito carinhoso de ser, entre tantas outras qualidades. Amar é uma escolha.

Para os indianos, é muito fácil entenderem porque nós, do ocidente, vivemos nos casando e nos separando : “vocês não têm um compromisso com aquela pessoa, ao se depararem com algo que não gostam no seu cônjuge, acabam optando pela separação e casando novamente, para depois haver nova separação”.

Para ele, nós não escolhemos amar nosso cônjuge, escolhemos viver o momento, aquela circunstância, muitas vezes aquela paixão que une os casais. E quando a paixão passa, o casamento não se sustenta.

Existem ainda outros argumentos para o sucesso do casamento indiano : quando as pessoas se casam, elas estão em sua mais completa “sanidade mental”, sem “paixonites” e sabendo que terão que enfrentar as lutas da vida juntas, até que a morte os separe. Os indianos encaram o casamento, como um dever de todo cidadão.

Ouvindo esta história, me pego em reflexões sobre como nossos casamentos se dão. Na grande maioria da vezes, casamos por amor. Algo nos faz nos apaixonarmos, a individualidade de cada um, que pode ser um belo sorriso, a nobreza de um caráter, o perfil trabalhador e responsável de um, o afeto e o carinho de outro….. E a partir desta característica que nos encanta, a relação se desenvolve.

Acontece que outras características nem tão positivas assim também surgirão. Você pode descobrir que seu cônjuge é mais pessimista ou emburrado do que você pensava, ou que ela não é assim tão carinhosa. Por vezes surgem interferências externas que atrapalham a relação ou mesmo conflitos na educação dos filhos. E não é raro, nestes momentos de conflito, a idéia da separação aparecer.

Nesta hora, lembro do casamento indiano, do rapaz que diz que amar é uma escolha. Porque você pode escolher amar o que o outro tem de melhor ou amaldiçoar aquela relação por tudo o que ela tem de pior.

Dalai Lama sugere que você se case com alguém com quem goste de conversar, pois ao final, isto será o mais importante. A paixão, a beleza, o sexo, a saúde, o vigor vão passar. E restará a você um (a) companheiro (a), um (a) amigo (a) com quem conversar.

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