O poeta Ferreira Gullar nos presenteou com esta pérola para reflexão : “Eu não quero ter razão, eu quero ser feliz”. Quem quer ter razão quer ganhar, quer fazer valer a sua verdade a qualquer custo, quer sempre mostrar para o outro que ele está certo. Quem quer ser feliz não está preocupado em ter razão sempre ou em ser reconhecido em seu ponto de vista porque é o mais correto. Quer apenas evitar o conflito e ser feliz.

Evidentemente alguns dirão que se ser feliz é se calar, esta não é uma boa atitude. Afinal, em nome de ser feliz, você vai ficar sempre dando razão pro outro mesmo que o outro esteja errado ? Em nome de evitar uma briga vai engolir sapo e se calar sendo que o outro nem ao menos reconhece sua atitude empática ?

E os que querem ganhar e ter razão entendem que se o ponto de vista deles está certo, por que se calar ? Por que não brigar pelo que acreditam e pelo que – em seu ponto de vista – é o certo a fazer ?

A verdade está no meio do caminho, no equilíbrio, no que Buda chamou “O Caminho do Meio”. Um violão com a corda frouxa não produz som algum e um violão com a corda muito retesada acaba por arrebentar a corda. Um violão bem ajustado e afinado produzirá lindas melodias.

Porque quando você ganha uma discussão o que de fato você ganhou ? Ganhou o mérito de ter seu ponto de vista reconhecido ? Ganhou respeito e autoridade ? E quando você deixa pra lá pra ser feliz ? Ganhou solidariedade ou foi interpretado como alguém que não faz valer seu ponto de vista ? Perdeu respeito ? Perdeu a razão ?

Pontuar o certo e o errado é também algo educativo. Não podemos ter tudo, cedemos em muitas coisas para viver em sociedade. Mas também não podemos nos calar e sermos omissos mediante algo que não nos parece correto.

E qual seria a solução ? A prudência nos diz para escolhermos as brigas que valem à pena. Não brigue por tudo, não queira fazer valer sua razão em tudo. Tem coisas que você pode relevar, que de fato não são importantes. Mas tem coisas que não podem passar, devem ser esclarecidas, conversadas, elaboradas como dizemos na Psicanálise.

Lute pelo que vale à pena. Releve o que é pequeno demais. Preze pelo seu convívio em casa, no trabalho, na sociedade. Coloque na balança os ganhos e perdas com cada atitude. Não se cale para evitar um acúmulo de mágoas e não brigue por tudo para evitar culpas desnecessárias. Opte pelo Caminho do Meio.

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