Minha verdade é composta dos meus valores, das coisas em que acredito, dos meus pontos de vista, das minhas inferências, do que eu entendo que é certo, entre outras coisas. A sua verdade é composta dos seus valores, das coisas que você acredita, dos seus pontos de vista, de suas inferências, do que você entende que é certo, entre outras coisas.

Como eu tenho a minha verdade e você tem a sua, elas podem não ser coincidentes, e aí surge o conflito. Eu vou defender a minha verdade, porque acredito que eu estou certa. Você vai defender a sua verdade, porque acredita que a sua está certa. Iremos divergir, discutir, conflitar, porque defenderemos nossas verdades com unhas e dentes. Mas nos esquecemos de uma coisa : estamos falando da verdade de cada um.

E a verdade de cada um se forma a partir dos seus valores, de suas experiências de vida, do que cada um entende que é certo ou errado. Eu posso, por exemplo, achar que uma colega de trabalho é folgada porque toda hora pára de trabalhar para ir ao banheiro. Posso pensar que ela está querendo matar o serviço e por isso não fica em sua mesa. Talvez eu não saiba que ela está doente, por exemplo, e que por isso vai toda hora ao banheiro. De acordo com minha verdade, ela é folgada. De acordo com a verdade dela, ela está doente.

Posso pensar em outro exemplo : uma mãe que é mais paciente com um filho do que com outro. A partir da minha verdade, posso supor que ela faz diferença entre os filhos, que trata um melhor do que outro, que não está sendo justa ou correta. Mas talvez eu não saiba que aquele filho tem uma limitação que o outro não tem, e por isso demanda mais atenção. Mais uma vez, estou olhando com meus olhos, meus valores, julgando a partir da minha verdade. Neste exemplo, para esta mãe, ela está sendo mais paciente com um filho do que com o outro porque um precisa mais do que o outro, pois tem suas limitações.

Os exemplos são infinitos. Podemos ver divergências de julgamentos no trabalho, em casamentos, em relações de amizade, entre familiares. E tudo porque cada um só está olhando a sua verdade, portanto, só concebe enxergar aquela situação a partir de seu ponto de vista.

Para resolvermos este problema, o melhor caminho é desenvolvermos a empatia, a capacidade de nos colocarmos no lugar do outro e de entendermos o ponto de vista do outro, a partir de suas vivências e de seus valores. Quando entendemos que cada um tem a sua verdade, paramos de conflitar e brigar, pois entendemos aquela situação de modo diferente e aí podemos concluir : não vale a pena brigar por diferentes pontos de vista.

Através da empatia, posso conversar com a colega de trabalho do primeiro exemplo e descobrir que ela não está bem, que está doente e que talvez precise de ajuda. Posso, a partir disto, olhá-la com outros olhos, os olhos da compreensão. O mesmo vale para o segundo exemplo : se uma criança tem uma limitação, ela precisa de mais cuidados e também posso ser útil ajudando esta mãe.

A empatia é frequente em pessoas ponderadas, sábias, equilibradas emocionalmente, flexíveis. Se ainda não a desenvolvemos, podemos nos propor a desenvolvê-la pois todos temos a ganhar, pois iremos favorecer a conciliação e o entendimento.

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