Gosto de pensar que fazer Psicanálise é um prazer. Tirar pelo menos uma hora na sua semana para falar de você, pensar e refletir sobre seus atos e comportamentos, sobre o por quê de agirmos de certa forma, sobre as influências que recebemos, sobre nosso papel no mundo, o desenvolvimento do nosso auto conhecimento, nossas dores e delícias – nada mais gostoso e enriquecedor !

Mas como já dito, temos dores e delícias, e falar ou refletir sobre nossas dores não é lá muito agradável. Olharmos para nossas sombras, para o que nos é desagradável, para nossas fraquezas e dúvidas, nossas angústias e ansiedades, acaba não sendo tão prazeroso assim.

Com frequência me deparo com pacientes resistentes. E a resistência aparece das mais diversas formas : faltando ás sessões, chegando atrasado ou mesmo desmarcando para a outra semana. Também há resistência no se abrir, se entregar, tanto quanto há para receber, ouvir o que está sendo dito, admitir a possibilidade de que certa atitude é decorrência de algo que não se pensava, talvez algo muito difícil de admitir para si mesmo.

E como é rico o processo psicanalítico ! Como é preciso coragem para prosseguir ! Como a humildade faz toda diferença, derrubando barreiras, deixando-se conhecer e compreendendo assim que nosso inconsciente tem um papel muito mais importante em nossas vidas do que ousaríamos supor.

Havendo a entrega, a abertura, o desarme no processo psicanalítico, haverá um ganho para as duas partes. Saber-se triste, indeciso, inseguro, por vezes fraco, acaba se tornando sua fortaleza, ao se deixar entender, possibilitando assim, inevitavelmente, seu auto conhecimento – e por que não dizer – sua cura interior ?

Se sei das minhas fraquezas, tenho maior conhecimento dos meus desafios. Se admito que não domino aquilo, tenho agora a oportunidade de lançar um olhar especial para aquilo. E o ganho é sempre certo, afinal, só temos que ser melhor do que nós mesmos. Sabedoria é conhecer-se.

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